HISTÓRICO
Cento e cinquenta anos antes de Jesus Cristo, Areteu da Capadócia escrevia: “[...] alguns pacientes, depois de estarem melancólicos, têm arroubos de mania [...], assim, a mania é como uma variação do estado melancólico”. Portanto, na Antiguidade, há indícios de que já se reconhecia a possibilidade de se alternarem estados melancólicos com maníacos (embora melancolia e mania naquele contexto não eram exatamente o mesmo que são hoje). Entretanto, foi apenas no século XIX que os alienistas passaram a reconhecer com mais clareza o que chamaram de loucura circular ou loucura maníaco-depressiva, o nosso atual transtorno bipolar (TB) (Goodwin; Jamison, 2010).
SINTOMAS DA SÍNDROME MANÍACA
A base da síndrome maníaca são sintomas de euforia, alegria exacerbada, elação (expansão do Eu), grandiosidade ou irritabilidade marcante, desproporcionais aos fatos da vida e distintos do estado comum de alegria ou entusiasmo que o indivíduo sadio apresenta em sua vida (Belmaker, 2004).
Além disso, quase sempre presente, observa-se nos quadros maníacos a aceleração das funções psíquicas (taquipsiquismo); pode haver agitação psicomotora, exaltação, loquacidade e pressão para falar, assim como pensamento acelerado até fuga de ideias (Cassidy et al., 1998). O quadro deve durar pelo menos uma semana, mas a média de duração do episódio maníaco é por volta de três meses (Goodwin; Jamison, 2010).
A atitude geral do paciente pode ser alegre, brincalhona, eufórica ou, também, muito frequentemente, irritada, arrogante e, às vezes, agressiva. Além das alterações propriamente do humor (euforia, elação) e do ritmo psíquico (aceleração), na esfera ideativa verifica-se, em geral, pensamento com conteúdo “alegre, grandioso e impreciso”, que tende a ser superficial e inconsequente. Segundo o psicopatólogo suíço Ludwig Binswanger (1881-1966), na mania “o paciente fala mais do que pensa” (Binswanger, 1973).
No episódio maníaco são frequentes a euforia, que é alegria marcante e desproporcional aos eventos da vida, a elação, que é o sentimento de expansão e engrandecimento do Eu e/ou a irritabilidade, em graus variados, desde leve, passando pela beligerância, até a franca agressividade. Não são raros comportamentos espalhafatosos, como tirar a roupa em ambientes públicos ou ficar cantando e/ou pregando em uma enfermaria psiquiátrica ou em um CAPS (Lim et al., 2013).
Também ocorrem ideias de grandeza, poder, riqueza e/ou importância social. Elas podem chegar a configurar verdadeiros delírios humor-congruentes, como delírios de grandeza, missão ou poder, ou humor-incongruentes, como delírio de perseguição ou de passividade. Também podem estar presentes alucinações (geralmente auditivas, olfativas ou visuais).
Hipomania
O Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5) exige, para o diagnóstico de episódio maníaco, que estejam presentes, na maior parte do dia, por pelo menos uma semana (geralmente duram bem mais que isso), além de humor elevado (euforia, elação), pelo menos mais três dos sintomas de mania (quatro, se o humor for apenas irritável) descritos a seguir:
↓
dias
3.1 Loquacidade. Produção verbal rápida, fluente e persistente, ou
3.2 Logorreia. Produção verbal muito rápida, fluente, com perda das concatenações lógicas, substituídas por associações contingenciais ou por assonância, ou