• Airway (vias aéreas)
    • Assegurar que a via aérea está pérvia é o primeiro passo.
    • Caso a avaliação inicial demonstre via aérea obstruída, devemos desobstruí-la para permitir a ventilação de forma adequada.
    • Em casos de obstrução alta, a laringoscopia ou broncoscopia podem ser necessárias para a remoção do corpo estranho.
    • Em pacientes com obstruções glóticas ou infraglóticas, a realização de cricotireoidostomia ou traqueostomia de emergência pode ser necessária.
  • Breathing (respiração)
    • Os pacientes que apresentam via aérea pérvia, porém sem respiração espontânea e/ou com rápida deterioração clínica, comprometimento orgânico e/ou ausência de reflexo faríngeo/proteção de via aérea, devem ser prontamente submetidos a intubação orotraqueal.
    • Naqueles que apresentam vias aéreas pérvias e possuem respiração espontânea, a suplementação de oxigênio em pacientes hipoxêmicos objetivando correção da oxigenação de forma adequada até a intervenção na causa básica será a próxima etapa do tratamento.
    • A oxigenação pode ser reavaliada acuradamente por meio da oximetria de pulso e da gasometria arterial.
    • Metas de oxigenação
      • As evidências a respeito do benefício vs. risco de metas liberais vs. conservadoras de oxigenação são conflitantes, uma vez que os ensaios clínicos randomizados incluem diferentes populações com variados alvos de oximetria.
      • A suplementação de oxigênio no manejo da insuficiência respiratória aguda está indicada a todos os pacientes agudamente hipoxêmicos ou àqueles com alto risco de hipoxemia ainda sem avaliação complementar das trocas gasosas, como no cenário de politrauma ou choque.
        • Em geral, recomenda-se oxigênio suplementar em fluxos mínimos necessários para se manter SatO 2 entre 90-94% na maioria dos pacientes.
        • Caso a SatO 2 seja maior que 94% sem sinais de esforços respiratórios, não há indicação de suplementação de O2 .
  • Interfaces de suporte de O2
    • Cateter nasal de O2 (CN O2 )

      • Utiliza baixos fluxos e baixa concentração de O2 . Utiliza fluxos de 0,5-5 L/min, sendo que aumentos de 1 L/min tendem a elevar a FiO 2 em 3 a 4% – p. ex., 3 L/min FiO 2 de 30 a 34%.
      • A elevação do fluxo acima desses limites não eleva significativamente a FiO 2 e potencialmente traz desconforto ao paciente e risco de lesão à mucosa por se tratar de um fluxo de oxigênio não aquecido e não umidificado.
      • O CN O2 é utilizado para casos sem necessidade de altos fluxos de oxigênio, como IRespA sem shunt ou para pacientes com doenças pulmonares crônicas que necessitem de baixa FiO2 .
    • Máscara de Venturi:

      • Pode fornecer concentrações variáveis e tituláveis de O2 .
      • Utilizam-se fluxos de O 2 moderados.
      • Além disso, proporciona mistura entre o O2 e o ar ambiente, propiciando níveis precisos de FiO 2 – de 24 a 50% de FiO2 .
      • As máscaras de Venturi possuem indicação na suplementação de O2 quando se necessita titular de forma adequada a FiO2 .
    • Máscara facial com reservatório → não reinalante

      • Pode propiciar alto fluxo e alta concentração de O 2 (FiO 2 90-100%). Devido à capacidade de fornecer alta concentração de O 2 sem mistura do oxigênio inspirado e do ar expirado através de um sistema de válvulas tem como principais indicações IRespA hipoxêmicas graves (SDRA, pneumonia grave).

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    • Dispositivo bolsa-máscara-válvula:

      • Propicia alto fluxo e alta concentração de O2 .
      • O fluxo de oxigênio deve ser utilizado em flush rate (esfera metálica do fluxômetro no máximo).
      • Além de propiciar alta concentração de O2 , em casos de parada respiratória, pode ser utilizado para prover ventilações.
    • Cateter nasal de alto fluxo

      • Permite o fornecimento de O 2 aquecido e umidificado através de dispositivos especiais.
      • Em adultos, permite a administração de fluxos até 60 L/min, gerando uma pequena pressão positiva nas vias aéreas superiores; a FiO 2 ofertada pode ser regulada conforme a titulação de O2 .
      • Pode apresentar melhor tolerância e conforto pelos pacientes em comparação com dispositivos de VNI.
        • Considerar uso de CNAF em vez de VNI na IRespA hipoxêmica em adultos internados (recomendação condicional, baixa qualidade de evidência).
        • Considerar CNAF em vez de oxigenoterapia convencional para o manejo pós-extubação de pacientes com IRespA hipoxêmica (recomendação condicional, baixa qualidade de evidência).
    • Ventilação não invasiva (VNI):

      • Refere-se à ventilação com pressão positiva mediada por uma interface (nasal, oronasal, máscara facial e capacete).

      • Indicações

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      • Modos:

        • CPAP (continuous airway pressure):
          • Oferece pressão positiva contínua nas vias aéreas, ou seja, o paciente respira espontaneamente e a ventilação oferece uma pressão contínua durante todo o ciclo respiratório.
          • Apresenta capacidade de oferecer alta concentração de O 2 e altos fluxos de O2
          • De forma geral, o CPAP é utilizado para pacientes que necessitam de correção de hipoxemia, como edema agudo de pulmão cardiogênico.
        • BiPAP (bilevel positive airway pressure)
          • Oferece tanto pressão inspiratória (IPAP) quanto expiratória (EPAP). Apresenta maior benefício em pacientes que se apresentam com hipoventilação, como exemplo, DPOC exacerbado, nos quais não se indica CPAP.
      • Benefícios: dentre os pacientes que apresentam maior benefício ao uso da VNI, podemos destacar os seguintes grupos:

        • O DPOC exacerbado com acidose respiratória (pH < 7,3 e PaCO 2 > 45 mmHg).
          • Não há um limite inferior do pH abaixo do qual a utilização da VNI é contraindicada; porém, quanto menor o pH, maior o risco de falha da VNI e tais pacientes devem ser observados de maneira mais rigorosa. Fortes evidências apontam para redução de mortalidade, necessidade de IOT e tempo de internação.
          • Em pacientes com DPOC exacerbado e ausência de acidose, a VNI não apresenta benefícios tão claros. Edema agudo de pulmão cardiogênico. Há boa evidência que suporte o uso de VNI (CPAP e BiPAP), com menor necessidade de
        • IOT e otimização dos parâmetros ventilatórios, muito embora o benefício em termos de mortalidade permaneça alvo de controvérsia.
        • Pacientes imunossuprimidos em IRespA tipo 1.
        • Prevenção de falência respiratória pós-extubação em pacientes de alto risco.
          • Pacientes considerados de alto risco são aqueles com mais de 65 anos, com APACHE II > 12 no dia da extubação, insuficiência cardíaca ou doença pulmonar crônica.
      • Complicações:

        • A VNI é uma estratégia segura.
        • As complicações decorrentes da ventilação com pressão positiva (barotrauma, pneumotórax, instabilidade hemodinâmica) são mais frequentes nos pacientes que são submetidos à ventilação invasiva.
        • As demais complicações estão relacionadas à utilização da máscara apertada, como lesões de pele, irritação ocular, dor nos seios da face; além destas, distensão gástrica pode ocorrer caso sejam utilizadas pressões inspiratórias mais elevadas.